Entrevista | Luciano Moreira: o estudo do mosquito como destino |
Um retrato social diário, baseado na relevância do fato, da notícia e da imagem
Um retrato social diário, baseado na relevância do fato, da notícia e da imagem
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A trajetória de Luciano Moreira não começou com a ambição de mudar a saúde pública brasileira — mas acabou chegando lá. Engenheiro agrônomo, pesquisador licenciado da Fiocruz e hoje diretor-presidente da Wolbito do Brasil, ele acaba de ser reconhecido pela revista Nature como uma das dez pessoas que moldaram a ciência em 2025, em um momento em que o País passa a combinar diferentes frentes no combate à dengue, como a vacinação e o controle do vetor. Ao longo de 17 anos de pesquisa, ajudou a transformar uma hipótese científica em uma estratégia concreta capaz de reduzir em até 89% os casos da doença em cidades brasileiras.
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Esse percurso começou ainda na infância, quando a curiosidade se impunha como método. “Acho que remete lá atrás quando era criança”, diz, em entrevista à Coluna. “Eu sempre gostei de mexer, de testar coisas. Eu achava insetos em casa, misturava produto de limpeza da minha mãe, injetava neles e observava o que acontecia. Era sempre curioso, buscando coisas. Tinha essa vontade de tentar achar soluções, de entender o que acontecia quando experimentava algo”.
Criado em São Paulo, Moreira associa esse impulso a uma infância menos vigiada, marcada pela circulação livre, pelo ócio e pela observação constante. Para ele, essa vivência foi decisiva. “Nós podíamos pensar, criar. Hoje tudo está mais compactado. Se as crianças não estão no celular, estão em alguma aula, elas têm uma agenda complexa. Esse período da vida está bem diferente hoje”.
Às vezes dá vontade de casos de dengue” parar. As dificuldades de fazer........