O vício português do dirigismo reaparece no "Fundo Soberano"
O anúncio de Luís Montenegro de criar um “fundo soberano” é o mais recente capítulo de um equívoco financeiro e de um vício histórico que teima em assombrar (e impedir) o desenvolvimento do país. Sob a tutela do IGCP, o plano de emitir dívida pública para comprar ações em “empresas estratégicas” — como a REN, a Galp ou a MEO — é apresentado com a habitual roupagem da soberania e do interesse nacional. Só que, tirando a retórica do costume, o modelo revela-se um exercício de alavancagem especulativa de alto risco, gerido com o dinheiro dos outros, e de colocar mais Estado na economia.
Qualquer gestor bancário elementar ensinará ao mais comum dos poupadores a regra de ouro das finanças: nunca invista em ativos de risco dinheiro de que possa precisar ou, pior ainda, dinheiro que pediu emprestado. Mas o Estado Português (o Governo, na realidade, mas utilizemos a terminologia habitual, para facilitar) prepara-se para fazer exatamente o oposto. Sem os excedentes estruturais que alimentam os verdadeiros fundos soberanos — como o petróleo na Noruega, por exemplo —, o veículo financeiro português será capitalizado através do........
