Análise. Mercados festejam alívio geopolítico
Esta foi uma semana marcada por ganhos expressivos nas bolsas globais, num contexto em que o foco dos investidores continua centrado na evolução do conflito no Médio Oriente. Na noite de terça-feira, foi anunciado um cessar-fogo temporário, com duração de duas semanas, entre os Estados Unidos e o Irão, sinalizando uma tentativa de desescalada após vários dias de crescente tensão. A reação dos mercados foi claramente positiva.
Na sessão de quarta-feira, dia 15, os principais índices registaram subidas significativas, com o S&P 500 a avançar cerca de 2,5%, o Nasdaq próximo de 3% e o DAX com ganhos superiores a 4%, numa das melhores sessões dos últimos meses.
O anúncio do acordo impulsionou o apetite pelo risco, apoiado também pela descida dos preços da energia, à medida que diminuíram os receios de disrupções no fornecimento, nomeadamente no Estreito de Ormuz.
Ainda assim, rapidamente surgiram sinais de fragilidade no acordo. Os ataques de Israel a alvos do Hezbollah no Líbano levantaram dúvidas quanto ao verdadeiro alcance do cessar-fogo. O Irão indicou que estas operações deveriam estar incluídas no entendimento, contrariando a comunicação inicial por parte dos EUA.
Este desalinhamento reacendeu o risco de escalada e levou a uma correção parcial dos ganhos na sessão seguinte. Apesar disso, os investidores continuam a interpretar de forma positiva a intenção da Administração americana em reduzir a exposição ao conflito, mesmo sem uma vitória clara.
Esta perceção tem sustentado o sentimento de mercado, ainda que num contexto de elevada incerteza quanto à durabilidade do acordo.
Nos EUA, as atas da Reserva Federal não trouxeram surpresas. A política monetária deverá manter-se cautelosa, com vários membros a destacarem o risco de a inflação permanecer acima do objetivo por mais tempo.
Apesar de algum abrandamento na atividade económica, não há urgência em cortar a taxa de referência, reforçando a ideia de que a política monetária deverá permanecer restritiva no curto prazo.
