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25 anos depois das Torres Gémeas

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10.09.2026

25 anos depois das Torres Gémeas

O dia em que Portugal também parou!

A 11 de setembro de 2001, o mundo parou perante a queda das Torres Gémeas, parou diante de imagens que ninguém conseguia acreditar, parou perante a dimensão da tragédia, parou porque, naquele dia, todos percebemos que o mundo que conhecíamos tinha mudado.Portugal também estava a mudar. Mas ninguém sabia ainda como.

Passaram 25 anos. António Guterres governava Portugal, depois vieram Durão Barroso e Santana Lopes, José Sócrates, Pedro Passos Coelho, António Costa e, desde 2024, Luís Montenegro, foram governos diferentes, partidos diferentes, maiorias diferentes, crises diferentes e circunstâncias internacionais que ninguém poderia prever, houve crescimento, recessão, uma intervenção externa, austeridade, pandemia, guerras, inflação e profundas transformações económicas e sociais. Não seria sério colocar tudo no mesmo saco, mas também não seria sério fugir à pergunta essencial: o que fizemos nestes 25 anos? Porque os números contam uma história que a política, muitas vezes, prefere não contar.

Em 2001, o salário mínimo era de 334,20 euros, em 2026 é de 920 euros, quase triplicou! Mas, o que aconteceu a todos os salários que estavam acima?Em outubro de 2001, o salário médio mensal rondava os 800 euros; em 2025, o último ano completo disponível, a remuneração bruta média mensal chegou aos 1.694 euros. O salário mínimo passou, assim, de cerca de 42% do salário médio para mais de 54%.

Esta é uma das histórias que Portugal raramente conta: o salário mínimo aproximou-se do salário médio muito mais depressa do que a economia conseguiu fazer crescer os salários intermédios. Ou seja, a classe média está cada vez mais perto de ganhar o salário mínimo!É o casal que trabalha, paga impostos, paga casa, renda ou crédito, carro, seguros, supermercado, energia, educação dos filhos, saúde e todas as pequenas despesas que, somadas, deixam de ser pequenas, e chega ao fim do mês com uma sensação que se tornou cada vez mais comum: trabalha-se mais para ter cada vez menos margem.

A classe média não desapareceu, mas perdeu liquidez!Perdeu capacidade de poupar, de investir, de ajudar os filhos, de fazer face a um imprevisto, de pensar no futuro. Se antes já tinha de contar, agora tem de recontar!

E, depois, há um número que, para mim, diz mais sobre Portugal do que muitas páginas de discursos políticos. Em 2001, um jovem recém-licenciado que entrasse na Administração Pública como técnico superior podia esperar, pelo índice 400 da tabela então em vigor, uma remuneração na ordem dos 1.200 euros mensais, em 2026, a primeira posição remuneratória de técnico superior é de 1.499,15 euros…

Em 2001, esse jovem começava a carreira com cerca de 3,6 salários mínimos, hoje começa com 1,63 salários mínimos.3,6 contra 1,63. Não é uma diferença estatística. É uma mudança de sociedade.

Em 25 anos, a distância entre o salário mínimo e o salário de um trabalhador qualificado foi brutalmente comprimida e, quando colocamos a inflação na equação, a fotografia torna-se ainda mais nítida: cerca de 100 euros de 2001 correspondem hoje a aproximadamente 167 euros, os cerca de 1.200 euros de então seriam hoje próximos de 2.000 euros em poder de compra atual, mas o técnico superior começa hoje com 1.499 euros, cerca de 500 euros abaixo do equivalente de 2001 em poder de compra.

É este o Portugal que temos de discutir. Não o Portugal dos discursos, mas o Portugal da........

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