Educação e ensino
1. Tem sido notícia a inauguração de centros tecnológicos para revolucionar o ensino profissional. É uma boa notícia. Precisamos de profissionais bem preparados. Em minha opinião, discutível como todas, ainda se não preencheu devidamente a lacuna deixada pela extinção das escolas industriais e comerciais, aptas a darem resposta às necessidades de hoje.
Que, privilegiando a dimensão técnica, os responsáveis se não esqueçam da indispensável formação humana. Daí a reflexão que me proponho fazer.
2. Dir-me-ão que é chover no molhado, mas não desisto. O bem comum exige que ensino e educação caminhem de mãos dadas.
Respeitando a badalada afirmação de que a educação é com a Família e o ensino com a Escola, insisto na minha: Família que não ensine e Escola que não eduque não cumprem a sua obrigação. Compete-lhes contribuir para a formação do ser humano no seu todo. Foi com a minha Mãe que também aprendi a ler e soube de cor a «Nau Catrineta».
3. A Escola também deve educar. Hoje, mais que nunca, dada a situação criada pela democratização do ensino: uma medida de aplaudir mas que tem as suas consequências.
A Escola tem o dever de exigir, de todos os que a frequentam, o respeito pelo outro, como ser igual e diferente. Exigir, de cada uma das pessoas, o reconhecimento da dignidade de ser humano que o outro possui. Não cumpre a sua missão a Escola que tolera o palavrão, a violência física ou verbal, a mentira, o desrespeito pela propriedade alheia.
Há que incutir nos alunos o respeito pelos legítimos limites que tem o uso de uma liberdade responsável. A tolerância, o direito de discordar cordatamente, a honestidade, o exercício do direito/dever de cidadania são valores de que a Escola se não deve alhear.
Numa comunidade bem organizada – e a Escola deve sê-lo – há regras que devem ser cumpridas por todos.
Aceitando a vaga de críticas que a opinião poderá provocar penso que será educativo o uso do uniforme nas escolas. Evita o exibicionismo humilhante, e às vezes provocatório, de meninos ricos. Aliás, suponho ter sido a ideia de igualdade que originou a introdução do traje académico nas universidades.
4. Os pais são os primeiros e principais educadores. Com o exemplo e com a palavra. Presto homenagem a todos os que, sacrificadamente, se entregam a esta missão.
Reconheço, entretanto, que a missão educativa dos pais está cada vez mais dificultada. É a teimosia, por motivos ideológicos, em insistir na destruição da família tradicional. São as condições de habitabilidade. É o pôr em causa o exercício da autoridade parental. São os atrativos gerados pela sociedade de consumo que leva a que pais e filhos cada vez convivam menos. Não é apenas o acesso de menores de dezasseis anos às redes sociais que deve preocupar os governantes.
Se a Escola se limita a transmitir conhecimentos… Se não contribui para a educação dos alunos e, indiretamente – custa dizê-lo, mas estou persuadido de que é verdade – para a de alguns encarregados da educação…
5. Sublinho a necessidade de uma ligação muito estreia entre Família e Escola. Pais e professores devem ter encontros frequentes. Não apenas para aqueles serem informados do aproveitamento mas também do comportamento dos filhos. Não cumpre bem a sua missão o pai /mãe que se preocupa exclusivamente com o aproveitamento escolar do filho, tolerando-lhe todas as tropelias desde que apresente boas notas.
Devem ser dadas aos professores as condições necessárias para exercerem bem a sua missão, o que passa por ser restituída a autoridade que lhes tiraram. Os professores hão-de poder agir como verdadeiros pais: amigos, compreensivos, muito humanos, respeitando a personalidade de cada educando, mas, sempre que aconselhável, usando da necessária firmeza. A indisciplina gera a anarquia e esta não permite ensinar nem apender.
