Portugal devia aprender com o Japão
Portugal vive hoje uma contradição silenciosa que revela uma das maiores fragilidades estratégicas do seu modelo económico e empresarial. Enquanto os inquéritos sobre riscos empresariais (Marsh, abril, 2026) identificam a retenção de talento como uma das principais ameaças para este ano, ao lado dos ataques cibernéticos, das alterações climáticas e das tensões geoeconómicas, as grandes empresas portuguesas continuam a contratar menos de 5% de trabalhadores com mais de 50 anos (in Público, edição de 16 de Maio). O paradoxo é evidente: o país afirma sofrer de escassez de competências, mas simultaneamente desperdiça experiência acumulada, conhecimento tácito e maturidade profissional num dos países mais envelhecidos do mundo. A explicação apresentada pelas empresas é conhecida. As novas áreas de crescimento — inteligência artificial, ciência de dados, cloud, digitalização — possuem um mercado “naturalmente mais jovem”. Mas esta narrativa esconde um preconceito estrutural........
