A IA e a urgência de reaprender a educar

O debate sobre o ensino superior regressa ciclicamente à praça pública, quase sempre sob a forma de uma acusação recorrente: a universidade está desfasada da realidade. A emergência da IA apenas intensificou essa perceção, como se a tecnologia tivesse finalmente exposto uma falha estrutural que durante anos se preferiu ignorar. Mas talvez o problema não seja apenas de atraso. Talvez seja mais profundo e diga respeito ao próprio modo como temos vindo a pensar a educação. A questão coloca-se hoje com uma nova urgência. Se sistemas de IA conseguem produzir textos, analisar dados, sintetizar informação e executar tarefas cognitivas complexas, o que significa afinal “saber”? E, sobretudo, o que deve significar “ensinar”? A universidade continua, em muitos casos, presa a modelos pedagógicos centrados na transmissão e reprodução de conhecimento, quando o próprio conhecimento deixou de ser escasso, fixo ou exclusivamente humano. É aqui que o pensamento de Edgar Morin se torna particularmente pertinente.........

© Diário do Minho