A complexidade como defesa do humano
A morte de Edgar Morin encerra uma das mais longas e fecundas trajetórias intelectuais do século XX. Filósofo, sociólogo e pensador da complexidade, Morin dedicou a vida a combater as simplificações que empobrecem a compreensão da realidade. Num tempo marcado por ideologias rígidas, especializações excessivas e certezas absolutas, insistiu na necessidade de um pensamento livre, capaz de reconhecer as interdependências, as contradições e as incertezas que caracterizam a condição humana. O seu legado ultrapassa largamente o campo académico. Morin ensinou-nos que os grandes problemas do nosso tempo não podem ser compreendidos a partir de compartimentos estanques. A economia, a política, a cultura, a tecnologia, o ambiente e a própria experiência humana formam uma teia complexa de relações. Separar artificialmente estes domínios é muitas vezes o primeiro passo para compreender mal a realidade. Por isso, a sua reflexão adquiriu uma relevância particular num mundo globalizado. Para Morin, a........
