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A escravidão

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16.03.2026

Estamos fortemente subjugados pelo petróleo. Basta que haja um adejar de asas nos países que bordejam o canal do golfo e logo se sente uma tempestade em todos os países que gastam energia derivada de fósseis. Daí que haja quem imediatamente aproveite a situação para encarecer o gasóleo, gasolina e o gás. Veja-se o caso português: logo que cheirou quis comer. São os aproveitadores que, cheirando-lhe a carniça, logo se sentam à mesa da oportunidade: por muito que comam nunca se satisfazem. Este estado de espírito de ganância mantém-se inalterado; em qualquer pequeno percalço que se passe na área, logo os combustíveis sobem. O Estado português, assim como os outros, são apanhados pela obrigação de financiar os gastos dos combustíveis. Úrsula von Der Leyen, presidente da Comissão Europeia, põe, em hipótese muito forte, o recurso à energia nuclear. Parece-me que corrigir um erro com outro erro é o mesmo que dar um murro na ponta da faca. A faca fica a mesma e quem se magoa é a mão. No meu entender, a Europa tem de olhar com muito cuidado para a urgente questão da substituição. Os 400 milhões de barris disponibilizados pelas reservas de países europeus, são apenas a mesma música. Nunca substituirão o petróleo sem a eletrificação dos transportes aéreos, marítimos e terrestres. Esta realidade grita tão alto que estranho é não a ouvir, ou melhor, não a escutar. Façam os senhores das governanças o que fizerem e digam o que disserem, a verdade da eletrificação não discursa, quer realização. A beligerância no Médio Oriente tem a caraterística de vindicta: tiraste-me um olho, autorizaste-me a tirar-te os dois; o que se deu com o Irão, poder-se-á vir a dar com outros países vizinhos, desencadeando, assim, crises atrás de crises que ninguém quer e nenhum governo suportará. Os recursos a subsídios não passam de remendos que apenas tapam os buracos de um casaco gasto. Enquanto não tirarmos aos países do petróleo a sua imprescindibilidade, estaremos continuamente a ir comer à sua mão. Quanto vai custar a supressão do imposto sobre os combustíveis, já anunciada? Uma migalha, um soluço que abafa a verdadeira dor. E porque não fazer um estudo para sabermos se, auxiliar o elétrico, não ficaria mais barato do que sustentar as possíveis guerras do Golfo Pérsico; pelo menos ficariam reduzidas a questões domésticas. Não estejam preocupados com os gastos da substituição porque são investimentos de retorno certo. Não será despiciendo falar da ajuda que daríamos ao nosso planeta, se usássemos a energia elétrica em vez da nuclear ou dos fósseis. Já que metemos o nariz neste assunto, pergunto se preservar a Terra não é a prioridade das prioridades? Se esta questão não tem importância, então para que fazem tantas reuniões, tantos alertas, tantos discursos inflamados de propósitos de salvamento?! Dizem-nos que as calamidades meteorológicas se devem às mudança do clima, mas discursar sem realizar, é clamar no deserto. Senhores, não há eco no silêncio das areias.


© Diário do Minho