Os exilados de hoje |
As notícias dos conflitos bélicos que vão acontecendo aqui e acolá sucedem-se em catadupa. Os telejornais de cá e de lá ocupam grande parte dos alinhamentos televisivos e das escolhas da imprensa em geral. Além da mortandade a que se assiste, às vezes, quase em directo, um número impressionante de pessoas fogem da área das guerras, procurando a segurança possível para si, os seus filhos e a família mais alargada. A história repete-se todos os dias. Desde há séculos e séculos que o ser humano procurou exílio noutras paragens ou foi arrastado para ele. Eram e são, sobretudo, as invasões de territórios de terceiros e os conflitos armados entre povos e nações que espoletam situações do género. São os grandes e os ditadores do planeta que, indiferentes ao sofrimento de milhares e milhões de pessoas indefesas, procuram o domínio de outras geografias. Lembremo-nos no que se acontece em Gaza, na Ucrânia e, mais recentemente, no Irão, para só falar dos casos mais presentes nas notícias internacionais. Há também quem tenha de fugir, exilando-se para longe das suas origens, fugindo de perseguições políticas, onde a liberdade de expressão não existe ou é pouco tolerada.
2. Infelizmente, há ainda quem passe pelo exílio por outras razões. Os que não conseguem realizar-se profissionalmente por cá e têm que procurar melhores paragens onde podem encontrar uma remuneração superior pelo seu trabalho ou desempenhar funções para as quais se prepararam na Universidade. As migrações de que hoje se fala acabam por ser, de certa forma, uma espécie de exílio.
Os governantes conhecem a situação, mas quase ou nada têm feito para debelar a situação. São milhares os que continuam fora por não encontrarem condições em Portugal. Não falo já dos que há muitas dezenas de anos se lançaram ao trabalho fora de portas, por necessidade, mas dos que deixaram o país mais recentemente, mais jovens e bem habilitados e que poderiam ajudar Portugal a crescer e a desenvolver-se mais rápido e melhor. Ao longo dos anos, mas com principal destaque após a crise financeira no início da segunda década do século actual, o fenómeno conheceu um volume de saídas do país que chamou a atenção de todos. O que têm feito os Governos que se seguiram? Primeiro, a confissão da falta de condições em Portugal e de um certo fomento emigratório, aconselhando-se uma vida de trabalho lá fora a quem aspirasse a mais do que o país permitia. Depois, foram várias as promessas de reversão. Hoje, os governantes conhecem melhor a situação, mas não se mexem o suficiente, não intervêm quanto podiam e deviam. Quem devolve a esperança a todos os que foram impelidos a sair? Promessas, é verdade, existem. Desde António Costa que se fala na necessidade de reverter a situação, mas tem faltado as condições. Verdadeiramente, só houve promessas. Até pode haver quem as faça bem intencionado, mas não é que demora tanto da proclamação à acção!...Quando chegará o futuro novo, aquele que pode confirmar efectivamente as promessas proferidas?
O que é que o actual Governo se propõe fazer para reverter a situação? Palavras leva-as o vento.
Estou em crer que a grande maioria não saiu por gosto, mas por necesidade.
Quando poderão pôr-se a caminho de Portugal em definitivo e não apenas para visitar a família ou os amigos nas férias?
Quando estarão de regresso às suas terras, aos seus lares, às suas raízes?
Talvez não seja fácil, mas por que não tentar, de facto, fazer algo de estrutural para que tal aconteça? Quem será capaz de o promover? Não será certamente com "corações de pedra", impregnados de ideologia, de autosuficiência e sobranceria.
Desânimo, frustração, desalento, não são experiências novas. Todos nós as experimentam algum dia: quando, apesar dos enormes esforços, às vezes até trabalhando enquanto se faz a faculdade, não se consegue o emprego sonhado; na hora em que muitos tiveram de emigrar, tendo de deixar a Família para enfrentarem um novo desafio em qualquer país estrangeiro e mais ou menos longínquo; quando qualquer um se sentiu paralisado pela inevitabilidade das circunstâncias.
Os Governos precisam de dar relevo bastante a este problema e não fugir às responsabilidades. E se começarem por cumprir o que prometem já não será mau.