Famílias cansadas: recuperar a casa como lugar de descanso e sentido |
Vivemos num tempo em que a vida se foi deixando traduzir pela linguagem do treino: metas, métricas, desempenho, superação. O que antes era “habitar” o mundo, com ritmos humanos e limites respeitados, tornou-se frequentemente um exercício contínuo de otimização. Byung-Chul Han descreveu esta mutação como passagem para uma “sociedade do desempenho”, onde o “tu consegues” assume a forma de um mandato permanente, gerando cansaço e autoexploração. Alain Ehrenberg leu a expansão do sofrimento depressivo como sintoma cultural de uma norma que exige iniciativa e autoprodução incessantes, produzindo, em muitos, uma “fadiga de ser-se a si mesmo”.
O problema torna-se particularmente grave quando esta lógica atravessa a porta de casa. A família, chamada a ser o primeiro lugar de repouso e recomposição interior, corre o risco de se transformar numa extensão do tribunal social: a criança vale se “se destaca”; o adolescente sente-se seguro apenas quando........