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Comprámos a máquina, esquecemos as mãos

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Há uma cena que se repete há décadas nas nossas empresas. Chega uma máquina nova, moderna e cara. Fica no meio do chão de fábrica, ainda com o plástico, à espera de alguém que a saiba pôr a trabalhar. Passam semanas. E quando finalmente arranca, faz metade do que prometia, porque ninguém teve tempo de aprender o resto.

Com a Inteligência Artificial está a acontecer exatamente o mesmo. Só que desta vez a máquina não ocupa espaço, não faz barulho e não se vê. Por isso é muito mais fácil fingir que já está a dar resultado.

Em junho foi divulgado o Human Capital Trends Study, da Aon, que ouviu mais de dois mil administradores e responsáveis de pessoas em 62 países. Diz-nos que 72% das empresas portuguesas já implementaram ou estão a testar soluções de IA, praticamente a média mundial de 73%. Nada mau, para quem costuma andar atrás. Mas o mesmo estudo revela outra coisa. Em 17% dessas organizações, nenhum colaborador participou em qualquer........

© Diário do Minho