O que o Pão sabe e nós esquecemos |
Há cheiros que alimentam mais do que o estômago. O cheiro do pão quente é um deles. Talvez porque nos fala de casa. Talvez porque nos recorda a infância. Talvez porque, antes de ser alimento, o pão é encontro. Coloca-se no centro da mesa, aproxima pessoas, cria conversa e comunidade. E é precisamente isso que me inquieta nestes dias em que nos aproximamos da festa de Santo António. Enquanto as ruas se enchem de música, manjericos, marchas e alegria, pergunto-me se ainda escutamos aquilo que o santo tinha para dizer. Porque Santo António não foi apenas o santo dos milagres ou dos casamentos. Foi um dos maiores pregadores da história da Igreja. E não pregava para agradar ou adormecer consciências. Pregava para as despertar.
Os seus sermões eram incómodos. Falava contra a ganância dos ricos, a corrupção dos poderosos, a exploração dos mais frágeis e a indiferença daqueles que se habituavam ao sofrimento alheio. Ouvindo-o hoje, alguns........