Domingo: tradição em extinção ou tesouro esquecido?

 

 

Durante séculos, o domingo foi mais do que um dia no calendário. Era um ritmo. Um respiro. Um acordo silencioso entre a vida, o trabalho e o sentido. Hoje, porém, o domingo parece ter sido engolido pela pressa dos outros dias. Trabalha-se, consome-se, corre-se como se fosse terça-feira. Ou sexta. Ou qualquer coisa indistinta entre notificações e compromissos. Não foi apenas a missa que perdeu espaço. Foi o próprio tempo gratuito que desapareceu.

No Minho – terra de sinos, de procissões, de almoços demorados e mesas cheias – o domingo foi, durante gerações, um eixo estruturante da vida familiar e comunitária. Não por nostalgia, mas por sabedoria. Sabia-se, intuitivamente, que o ser humano não aguenta viver sempre em modo de produção. Que é preciso parar para não se perder.

Hoje, a lógica dominante diz-nos o contrário: parar é perder tempo; descansar é um luxo; não produzir é falhar. E assim, sem darmos conta, o domingo deixou de ser........

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