menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Promissor mandato, senhor Presidente

24 0
04.03.2026

Correu finalmente o pano sobre o palco das eleições presidenciais de 18 de janeiro, as mais originais destes já 52 anos de Democracia; e isto porque o número de candidatos bateu todos os recordes e a necessidade de uma segunda volta reuniu dois candidatos inesperados: o socialista António José Seguro e André Ventura líder da direita radical e presidente do partido Chega.

E estes foram os dois candidatos, à partida, menos esperados para disputarem a hipotética segunda volta que acabou por acontecer; e uma vez que havia candidatos mais credenciados para esta disputa como, mormente, o Almirante Gouveia e Melo e o social-democrata Marques Mendes.

Penso que estas eleições presidenciais basearam a sua originalidade, para além da profusão de candidatos, num evidente declínio da qualidade de alguns candidatos; sobretudo se nos concentrarmos na capacidade, preparação e qualidade dos concorrentes às anteriores eleições presidenciais, onde pontificaram os candidatos ganhadores como o General Ramalho Eanes, os socialistas Mário Soares e Jorge Sampaio e os social- democratas Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, em fim de mandato.

Ainda de realçar que esta segunda volta deu a António José Seguro uma esmagadora vitória sobre André Ventura, tomando-se o presidente da República com o maior número de votos de sempre em democracia, embora com uma subida da abstenção (50%) em relação à primeira volta; e esta folgada vitória de António José Seguro deve-se ao facto de ser apoiado pelos maiores partidos (AD, PS, lL, LIVRE e PCP), levando à contabilização de 3,3 milhões de votantes contra os pouco mais de 1,6 milhões de André Ventura.

Pois bem, eleito o Presidente da República, agora, é tempo de refletirmos sobre o que devemos esperar do seu mandato dos próximos cinco anos; mormente, atendendo a que a nossa Democracia não goza de boa saúde e isto lhe confere pouca qualidade e habilidade, bem como legitimidade e ação junto do povo mais necessitado, fragilizado, ofendido e carente.

É evidente que a classe política em geral tem perdido, ao longo dos tempos de vida democrática que já leva 52 anos, coerência, competência e verdade; e, dado que a vida democrática sempre requer empenho e afirmação constantes na sua vivência diária, isto leva o povo ao descontentamento, à incredulidade e à desmotivaçào

Ora, perante esta evidente e insofismável realidade, o país precisa que o novo Presidente se empenhe na ajuda à mudança deste paradigma; e, além disso, temos que dele exigir que seja, constantemente, um defensor, um combatente e um paladino, através de um compromisso de honra para com o povo e p para com a Nação na luta contra a corrupção, a demagogia, o oportunismo, o populismo, as falsas promessas, a injustiça social e a prepotência dos mais poderosos contra os mais fracos que são males de que enferma a nossa Democracia.

E, além do mais, o exercício do cargo de Presidente da República impõe grandes responsabilidades, obrigações e deveres que não podem nunca ser esquecidos por quem exerce o cargo de Presidente de todos os portugueses; e, sobretudo, requer uma enorme disponibilidade e presença junto do povo para que conheça, claramente, as suas dificuldades, as suas carências e limitações e a todos os níveis no que concerne aos valores e direitos familiares, profissionais e económico-sociais.

Finalmente, dado o avanço dos populismos, radicalismos e extremismos antidemocráticos que por aí avançam e já muito presentes e atuantes são em países da União Europeia, um bom Presidente tem de estar atento e muito ativo contra esta realidade; até porque se muito a todos custou a conquista e implantação da nossa Democracia, perdê-la seria uma enorme ingratidão e tragédia.

Comemos e não vacilemos em tudo quanto diga respeito à sua manutenção, reafirmação e vitalização; porque este será, sem dúvida, o elo mais forte que nos une contra os seus inimigos que por aí já espreitam.

E, assim, que seja muito promissor o seu mandato, Senhor Presidente. Então, até de hoje a oito.


© Diário do Minho