Ano Novo melhor ano |
Estamos num Novo Ano já lá vão oito dias; e os relógios do tempo, na sua inexorabilidade cronológica, lembram-nos que a vida é breve e as trezentas e sessenta e cinco ou seis folhas do calendário são outras tantas contas dum longo rosário que é preciso desfiar a bom contento e melhor proveito.
E, então, para que dois mil e vinte e cinco (2025) seja melhor do que dois mil e vinte e quatro (2024), em termos de qualidade de vida, justiça e bem-estar para todos, é urgente que os governantes, os dirigentes, os empresários e os patrões pensem mais nos outros e menos em si próprios; e que, ao fim de cada dia cumprido, tenham a consciência de que fizeram alguma coisa, grande ou pequena que seja, pelos seus semelhantes.
Depois, é preciso deixar de se fazerem fortunas da noite para o dia e a que, por falácia, chamam negócios; e só porque elas nascem, primeiramente, conhecimentozitos e, depois, de uns compadrios e favoritismos e já está, sem tirar nem pôr, a roda da sorte a andar para o lado incerto, inexoravelmente.
E a partir de então lá estão as negociatas atrás de negociatas cada vez mais suspeitas e escuras, cada vez mais fáceis e chorudas; e os interesses e necessidades coletivas de lado, sempre de lado, como se eles fossem donos disto tudo, sabendo que o dinheiro tudo compra e a safra dos cifrões é a única forma de loquacidade.
Não há realmente como ter a alma limpa, lavada e levantar a cabeça enfrentando as pessoas sem qualquer comprometimento; porque, doutro modo, assalta-os o peso da consciência ou a consciência do peso e esta verdade não pode ter lugar em sociedades que se querem solidárias, civilizadas, livres e justas e... europeias como a nossa.
Todavia, o que nos parece é que eles, os donos disto tudo, têm três olhos, quando nós, apenas, temos dois; depois, o que realmente disto resulta são as graves injustiças sociais, o aumento das desigualdades e o desrespeito pelas normas, princípios e valores que não devem existir nunca em regimes democráticos, verdadeiramente democráticos.
Pois é, estamos sempre perante a mesma história: ao homem honesto, solidário, direitinho, que paga os seus impostos, cumpre rigorosamente a lei, colabora no bem comum e nunca prejudicou, seja no que for, o seu semelhante, apenas lhe resta a consolação de viver em paz com a própria consciência; e o prémio que lhe assiste é ser quase sempre desprezado e caricaturado por essa caterva de chicos-espertos que nada lhe agradecem e muito menos reconhecem o seu bom comportamento cívico.
Mas, aos corruptos, aos apadrinhados, aos habilidosos sobram-lhes o respeito, a admiração e a vénia da comunidade, porque convenhamos que o dinheiro dá importância, compra consciências, faz do torto direito e do direito torto, infelizmente; e desta forma se estão a inverter e subverter os valores fundamentais, a praticar a injustiça social, a consentir o carro à frente dos bois, a construir uma sociedade apenas para benefício de alguns e prejuízo de muitos, muitos, muitos.
Pois bem, então como estamos no início de um Novo Ano, façamos o firme propósito de lutarmos por um Ano Novo onde impere menos desigualdades, mais justiça social, mais solidariedade, mais tolerância, mais calor humano entre todos os portugueses; e que se ponham de parte o egoísmo, o individualismo, o hedonismo e o materialismo vorazes que por aí campeiam; e talvez assim possamos dizer que o Novo Ano que, há oito dias se iniciou, será deveras um Ano Novo repleto de paz, de felicidade, de bem-estar e de pão e amor para todos nós.
Penso que este pode ser um bom tema nos tradicionais propósitos e mensagens para os que, por dever de ofício, tenham que os fazer aos portugueses; e onde poderão coexistir anúncios de mudança de intenções, de prognósticos de concertação e de vida.
Então, um Ano realmente Novo para todos e até de hoje a oito.