Sinais de Páscoa – consolar

É grande a riqueza das celebrações da Semana Santa. Cada dia e cada cerimónia estão carregados de uma densidade espiritual nem sempre alcançável.

O gesto do lava-pés, no coração da Quinta-feira Santa, não é apenas um gesto ou um momento de uma liturgia. Recorda quanto Cristo realizou, mas ultrapassa os séculos e, todos os anos, se reveste de matizes diferentes. Cada igreja escolhe aqueles que protagonizam este gesto: desde jovens a casais, de sem-abrigo a reclusos, de doentes a pessoas a celebrar datas festivas.

Este ano, tive a oportunidade de lavar os pés a utentes da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim: pessoas com limitações, em cadeiras de rodas e com idade avançada. Num determinado momento, quando deitava água nos pés de uma senhora, ouvi, como que um sussurro: “Que consolo”. Sei que não era apenas o consolo de alguém a lavar-lhe os pés. Poderia ser. Todos os dias há quem o faça de um modo não simbólico, mas real. Posso imaginar a emoção que sentia no seu coração, que transbordou com a espontaneidade de quem saboreia algo marcante.

Este gesto trouxe-me à mente a Carta Encíclica do Papa Francisco, Dilexit nos (“Amou-nos”). Aí se fala da atualidade da........

© Diário do Minho