A Igreja como «Profecia Social»

Na semana passada, pensando na nova encíclica do Papa, intitulei a minha crónica recorrendo a uma expressão, utilizada no século passado por alguns pensadores católicos para identificar a Doutrina Social da Igreja. Houve mesmo quem ousasse apelidá-la de «Quinto Evangelho».

Quero prosseguir a minha reflexão a partir do «desafio» lançado por Leão XIV, logo nas primeiras palavras. Ou permitimos a construção de uma nova Babel, onde reina a confusão que nasce do desprezo por Deus e do consequente esquecimento da dignidade humana, ou restituímos à humanidade a sua condição de «magnífica», empenhando-nos para que ela seja «habitada» por Deus. Com o regresso de Deus ao mundo, o ser humano resplandecerá na sua dignidade e nos seus direitos.

Sabemos que o pensamento do atual Papa tem sempre subjacentes os ensinamentos de Santo Agostinho. Nada perdemos ao aproximarmo-nos deste Padre da Igreja. 

Hoje, quero recorrer, de modo muito sumário e elementar, ao que ele propõe na sua obra paradigmática A Cidade de Deus (tradicionalmente referida como As Duas Cidades). Não é fácil fazê-lo nos limites de um pequeno artigo. Basta, porém, uma ideia fundamental.

Para compreender o que aí se sublinha, é obrigatório recorrer ao contexto histórico........

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