Falar de suicídio é falar de cuidado coletivo

Janeiro é, simbolicamente, um mês de recomeços, um tempo associado a resoluções, projetos e, cada vez mais, reconhecido como o mês da saúde mental.

O suicídio continua a ser um dos temas mais difíceis de abordar porque nos confronta com uma verdade profundamente incómoda: o sofrimento psíquico nem sempre é visível, nem sempre é verbalizado, nem sempre pede ajuda de forma clara. Muitas vezes, ele habita o quotidiano de forma discreta, camuflado no cansaço extremo, no retraimento progressivo, na perda de sentido ou até numa aparente normalidade excessiva.

Vivemos numa sociedade em que há pouco espaço para a fragilidade, para a dúvida e para a exaustão emocional prolongada. Aprende-se cedo a não incomodar, a não falhar, a resolver sozinho. É nesse isolamento silencioso que o sofrimento cresce, sem testemunhas, até se tornar insuportável.

Por detrás de um........

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