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Neves em tempo de chamas

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A política portuguesa tem uma curiosa relação com o tempo. Há polémicas que parecem incendiar o país durante uma semana e desaparecer na seguinte. Há ministros que, num dia, parecem politicamente condenados e, quinze dias depois, regressam à normalidade mediática. E há primeiros-ministros que aprenderam que a melhor forma de sobreviver a uma fogueira é não lhe acrescentar lenha.

Luís Neves, ministro da Administração Interna, vive hoje esse momento delicado. O seu nome entrou no espaço público por razões que não dizem diretamente respeito à condução operacional da segurança interna, mas à sua esfera pessoal, profissional passada e a ligações que passaram a ser objeto de escrutínio. Fala-se de obras, de empreiteiros, de uma propriedade no Alentejo, de bens apreendidos, de um atrelado encontrado onde não devia estar. Tudo matéria que exige esclarecimento, serenidade e separação rigorosa entre suspeita, facto e responsabilidade política.

Mas a pergunta que se coloca é também porque é que o primeiro-ministro decidiu mantê-lo? Essa decisão não parece inocente nem improvisada. Antes, revela uma........

© Diário do Minho