Tempos pascais: O Grupo dos Vencedores |
Vivem-se tempos Pascais, tempos que os cristãos sentem, espiritualmente, o tempo d’Aquele que era Deus e se fez homem: Jesus Cristo, com Sua morte e ressurreição.
Cristo, está sempre vivo entre nós. Há quem O ame e quem O odeie. Há uma paixão pela paixão de Cristo e outra pela Sua destruição. Quem se escarniça contra Ele, faz a prova provada que (Ele) vive.
Tanto os reis da terra como os destruidores de Cristo, no Seu tempo, adoravam a matéria, foram loucos como os actuais, pois convenceram-se (convencem-se), que Cristo nasceu para reinar sobre a terra e amar a matéria. E Cristo veio para trazer a justiça e elevar os infelizes, quando afirmou que “serão consolados todos os que choram”.
Pelo que, “Na manhã desse dia sacrossanto; Que era o primeiro dia da semana; Jesus ressuscitara por encanto; De per si, por virtude soberana. E aquela, a quem Jesus perdoara tanto; A Madalena que, da fúria insana, De sete espíritos, Jesus livrou; Foi a primeira a quem Jesus saudou”.
Quem assim crê não tem dúvidas que tal acontecimento na história da Humanidade, faz com que se entenda que o Catolicismo não é uma religião de inconscientes ou de malucos, mas um caminho de amor para com Deus Omnipotente e para com a Humanidade.
Quem medita os Evangelhos e neles procura ajuda, energia para obter mais certezas - ou para uma vida de apostolado/serviço - pode ficar intrigado quando conclui que Cristo usava o silêncio, para através do silêncio falar. Usava as parábolas e as suas relações sociais, tudo aproveitava para estimular seus incultos discípulos a se tornarem um grupo de vencedores e, capazes de dilatarem o Cristianismo, em prol de todo o homem.
É impressionante saber que Cristo ao dizer: “Pai, se possível afasta de Mim este cálice”, não recuou, não hesitou. Expressou sim, a grande e bela poesia de liberdade, resignação e autenticidade! Estava consciente do cálice que iria beber: “que não seja como Eu quero, mas como Tu queres”. Jesus Cristo triunfou, a morte jamais!
“Esse Jesus que ao Céu vistes subir; Deixando-vos ficar em doce enleio; Do mesmo modo que hoje O vistes ir; Mais tarde voltará de glória cheio; E as gerações humanas do porvir; Possuídas de gozo e de receio; Hão-de vê-lo trilhar esse caminho, por sobre nuvens brancas como arminho”.
Após o longo intróito - fruto das convicções, da fé em permanente crescimento e desassossego do autor - há que reflectir, entranharmo-nos na realidade da vida dos homens, no atafulhamento de preconceitos em que vive, na falta de proteínas cerebrais que têm sido substituídas por ensebadas gorduras do mundo, no desprezo pelos caminhos seguros da vida, trocados por lugares-comuns, onde a banalidade impera, para dizer-se, como se diz hoje, que a busca e a posse de valores e da conquista da liberdade responsável, são coisas dos tempos do paleolítico, da idade da pedra lascada.
Penso assiduamente na balbúrdia em que o Mundo vive, na maldade e no egocentrismo que crescem diariamente, nas possibilidades de guerra mundial e das já existentes em conhecidos locais, da pobreza-à-vista e dos ricos ilegais que o Mundo vê crescer, escravizar e matar.
Tal balbúrdia, tem como cozinheiros certos formalistas, comentadores, editores de informação, filósofos de bancadas, romancistas de ruas cavadas e, entre outros mais, de realizadores cinematográficos vesgos e com aromas de bestialidade, pelas imagens que apresentam ao mundo, pela mentira que substitua a verdade.
Estaremos a caminhar para o fim desta civilização? Só se destrói, só se mata!
É melhor o homem de hoje do que o homem a quem pessoalmente Cristo pregou?
Só Ele sabe. No entanto, o homem do nosso tempo parece diferente daquele que Cristo viu com Seus próprios olhos: mais polidos e sabemos esconder o que não queremos que vejam e, Cristo… sempre Jesus Cristo! – sabe o que somos e sabe o que não deveríamos ser.
Assim, aos religiosos e aos leigos do Deus de Jesus Cristo, aos simplesmente crentes e humanistas, aos cépticos e ateus, formulo-lhes votos sinceros de que, pelo menos nestes tempos Pascais, vivam desassossegados espiritualmente, para que a todos não aconteça como aos dois homens na estrada de Emaús:
Cristo ia com eles e eles não O conheceram, não O viram, não O sentiram: caminhavam, rigorosamente, olhando o chão que pisavam.
“Eis, em resumo, os feitos relumbrantes – Operados por Cristo, afora os mais – Não menos inefáveis e importantes – Que fez durante a vida entre os mortais. A narrarem-se feitos semelhantes – E as circunstâncias deles tais e quais – Os livros em que todos se escrevessem – Talvez no mundo inteiro não coubessem”.