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Licença para matar?

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Há penas sem retorno. A mais irremediável é a morte decidida por um tribunal. A pena de morte apresenta-se, para alguns, como símbolo máximo de justiça e a resposta para crimes extremos. O perigo não está só na severidade ou forma da punição, mas na falibilidade humana. A História demonstra, com inquietante regularidade, o erro a acontecer. São muitos os exemplos, e recomendo quem queira aprofundar a questão, a recente obra do autor John Grisham (Incriminados, da Betrand Editora, 2025). A justiça é feita por pessoas com virtudes, sim, mas também com falhas, preconceitos e limitações. As investigações podem ser deficientes; as testemunhas podem mentir; as perícias podem revelar-se erradas; os preconceitos podem contaminar decisões; a defesa pode ser insuficiente. O juiz mais experiente pode equivocar-se. O magistrado mais diligente pode confiar numa prova falsa. O perito mais reputado pode errar. A testemunha mais convincente pode mentir. Nenhum sistema jurídico consegue eliminar por........

© Diário do Minho