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Viagem às raízes - 8ª parte

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16.07.2021

- Iriberto: quantas dinastias houve em Portugal e diz-me o nome de cada uma?

Como não obteve resposta instantânea - o aluno sabia as respostas, mas o medo era tal que engasgou-se com as palavras - teve direito a umas valentes reguadas. Foi a única vez que lhe tocou.

Exame da quarta classe feito com distinção e nova vida se lhe seguiu. Saiu dos carinhos e cuidados da mãe, Joaquina Rosa, em Torre de Dona Chama e foi para Mirandela, para casa do seu tio Alfredo Ferreira, irmão da mãe, também conhecido como Caldinho, com o objetivo de aprender uma profissão. Este tio era casado com a Senhora Antoninha, uma pessoa de fibra, pouco dada a afetos e cuidados ao sobrinho. Fazia dele um criado, sobrecarregando-o com tantas tarefas no campo e recados, que mal tinha tempo para dormir. Caíra-lhe em casa um criado de graça a quem dava apenas o caldo e assim se manteve até completar 21 anos. A tia Antoninha punha e dispunha em casa e na propriedade agrícola; mandava no marido e no sobrinho Iriberto – uma ditadora de maus fígados. Tinha arrelias com o marido por este dar tarefas ao sobrinho, roubando-lhe o escravo. Não vos sobressalteis com o termo escravo, foi a dura e triste realidade. Seus tios mantiveram-no durante dez anos a trabalhar para eles sem lhe darem um escudo, apenas cama e mesa. Ora se isto não é escravidão, digam-me lá o que é? No estabelecimento de bicicletas, motorizadas e pequenas máquinas agrícolas era o tio Alfredo que tomava conta.

Sempre que o sobrinho, na imensa timidez imposta pela condição de serviçal, lhe pedia........

© Diário de Trás-os-Montes


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