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Viagem às raízes - 7ª parte

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10.07.2021

- A mota?! Olha, a mota… Aquilo não andava nada. Nem foi preciso fazer nada. – e ria a bom rir.

As férias terminaram e minha mãe regressou ao trabalho, em Lisboa. Entretanto, apercebeu-se de que não tinha encerrado a questão com o mecânico e resolveu escrever-lhe, pedindo que dissesse quanto devia do desconserto da motorizada.

Bequinha causara boa impressão ao mecânico. Bem que ele remoía na ideia de lhe escrever, mas não sabia como. Já tinha abordado o Alberto para que lhe desse a morada da irmã, mas este fez-se caro. E, nisto, eis que lhe caiu uma missiva nas mãos. Leu o texto na sofreguidão das almas apaixonadas, e, prontamente pôs a resposta no correio.

“A menina América não precisa de se preocupar. Não me deve nada. Foi um prazer poder atender o seu pedido. Um criado ao seu dispor.”

Gostando de poesia e tendo pena leve para a escrita, serviu-se do facto para escrever belas cartas à Bequinha, que passaram a ser trocadas entre ambos.

Vendo que o caso se tornava sério, Bequinha, resolveu escrever uma carta ao Pároco de Torre de Dona Chama, Padre Reimão, pedindo informações sobre o Senhor Álvaro Iriberto Ferreira.

Um belo dia, o Padre Reimão, cruzando-se com o visado na carta da Bequinha...

- Ora, nem de propósito! Vem cá Iriberto.

- A sua bênção, Senhor Padre?

- Deus te abençoe, meu filho. – e, prosseguiu.

- Uma menina, escreveu-me a pedir informações tuas. O que lhe hei de dizer, rapaz?

- Qual delas, Senhor Padre?

- Qual delas? Namoras assim tantas raparigas? Olha-me o descarado! – exclamava incrédulo o Padre Reimão.

Bem que o Iriberto tentou remediar a situação, mas, tal já não foi possível. Levou um valente raspanete, não fosse o interlocutor homem de bons usos e costumes e regras rígidas.

O Padre António Joaquim Reimão........

© Diário de Trás-os-Montes


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