O meu Bisavô Genésio
Não devia ser de se recomendar, o meu bisavô Genésio. Não o conheci, mas, segundo o que dele contam as minhas tias, era um alma do diabo truculento mais desordeiro que mil diabos.
Sempre que bebia de mais, coisa que nele era habitual, contam, tornava-se num vendaval à solta, capaz de levar tudo à frente do seu fueiro, fiel companheiro de idas e de vindas, feitas de brigas constantes, nem que fosse por “dá cá aquela palha”.
Ensandecido pelos vapores e sabores etílicos, eram um homem do vinho, mas também, um homem de vinho. Era proprietário de uma quinta, mas dedicava às coisas da lavouro pouca ou nenhuma importância. Diariamente, puxava-lhe para se meter com alguém ou com alguma coisa, nem que fossem os companheiros de desatino ou as pedras do caminho.
A coisa era de tal forma, que a minha bisavó Maria, foi elevada pelo povo ao patamar de Santa, por causa dos tantos padecimentos que ele lhe causou. Oriunda de uma família com algum de seu da cidade de Lamego, casou com ele, e sofreu pacientemente as agruras provocadas pelo fistor.
Como disse, era pessoa com consideráveis posses o meu bisavô, sob a forma de uma propriedade agrícola que, não sendo um “marão” de terra, dava para proporcionar uma vida afastada da miséria mais imediata, num tempo em que a fome campeava por entre o campesinato que mourejava de sol a sol.
A Quinta de S. José, era e é assim que se chamava e chama, fica à entrada da aldeia na extrema do Douro vinhateiro com a Beira Alta. Naquele tempo, granjeava-se nela o vinho, semeavam-se e colhiam-se as batatas, o milho, o trigo, a cevada, e tudo o mais de que são feitas as........
