O Civismo |
Manuel Igreja
Para lá das competências mais básicas comuns a todos os seres vivos que se movem — como comer ou deslocar-se — existe uma outra, tanto quanto sabemos, exclusiva dos seres humanos: a capacidade de criar simbolismos e de encontrar formas de construir e agir em função de objetivos comuns.
Assim que os nossos ancestrais começaram a organizar o quotidiano em grupo, desenvolveu-se naturalmente a noção de pertença a algo que ultrapassava o umbigo de cada um. Primeiro por instinto e, mais tarde, muito lentamente — ao longo de centenas de milhares de anos — o imediatamente material foi deixando de ser o único horizonte, por ter surgia capacidade de desejar mais e melhor e, sobretudo, a faculdade de desmaterializar, isto é, de conceber soluções e explicações para além do tangível.
Quando começaram a surgir as primeiras cidades, fruto do abandono da errância na busca de alimento e de melhores condições de vida, por necessidade e por inteligência aplicada à organização, a primeira coisa a ser desenhada, a régua e esquadro, foi o espaço comum: o largo. Ladeavam-no o templo, o edifício do poder, o recinto das celebrações e outras infraestruturas de uso coletivo.
Deram-se........