a (nossa) invisibilidade
a (nossa) invisibilidade
Foi-me dito há dias, por um rapaz da minha idade, que a característica que melhor nos define neste ocaso da vida é a invisibilidade perante a sociedade em geral e a família em particular.
De facto na maioria dos caso, gente deste grupo etário nem é visto nem se quer visto pela maioria dos seus descendentes demasiado ocupados com a mesquinhez das suas vidas materialistas, sem tempo para empatia com os mais velhos, como deveriam ter aprendido dos seus avós e demais antepassados.
Raro é o dia em que a comunicação social não nos narra casos de abandono de idosos em hospitais onde foram abandonados pela sua prole, e lá ficam esquecidos para não serem levados por eles para suas casas onde seriam um incómodo sempre presente e a precisar de atenção.
Por isso é mais fácil deixá-los nos hospitais, ou se forem afortunados num qualquer lar, legal ou ilegal, tanto faz, desde que não chateiem. Mesmo que nesses lares sejam objeto de sevícias, ou vítimas de uma qualquer megera a sedar, bater e insultar idosos.
Uma sociedade injusta e desigual, onde nalguns casos mais vale sermos mesmo invisíveis.
