Reorganização: porquê, para quê, como e quando.

Batista Jerónimo

Uma reorganização organizacional, seja num órgão público ou numa entidade empresarial, começa obrigatoriamente por um diagnóstico, complementado por um levantamento de necessidades. Reorganizar não é redesenhar organogramas por intuição, nem criar estruturas para acomodar cargos. É compreender como a organização funciona de facto, onde falha, onde se sobrepõe e onde desperdiça recursos humanos, financeiros e decisórios.

Um diagnóstico organizacional baseia-se em factos: processos reais, tempos de decisão, responsabilidades efetivamente exercidas, cargas de trabalho e interfaces funcionais. Sem este retrato rigoroso da realidade, qualquer reorganização perde fundamento técnico antes mesmo de começar.

Sem diagnóstico, a reorganização, legitima decisões previamente tomadas, mascaradas de racionalidade técnica. É neste vazio analítico que proliferam soluções fáceis: mais níveis hierárquicos, mais chefias intermédias, mais custos fixos e maior complexidade organizacional —sem ganhos proporcionais de desempenho.

No diagnóstico, o foco deve estar nas funções efetivamente exercidas, não nos títulos formais. Função é aquilo que se faz, aquilo que se decide e aquilo pelo qual se responde, independentemente do........

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