Um cargo impossível? A sucessão de Guterres num mundo à deriva |
Dentro de dias, a 21 e 22, a Assembleia Geral da ONU irá questionar a visão e as propostas de cada um dos candidatos a secretário-geral. António Guterres termina o seu segundo e último mandato no final do ano. Quem será o seu sucessor?
Uma candidata é Michelle Bachelet, que foi presidente do Chile por duas vezes – no período 2006-2010 e de 2014 a 2018. Bachelet pode igualmente reivindicar uma experiência marcante nas Nações Unidas. Assumiu vários cargos, e foi até 2022 a alta-comissária para os Direitos Humanos. Acontece que os Direitos Humanos são uma área muito sensível, onde é frequente criar conflitos com diversos Estados infratores. O presidente norte-americano e o recém-empossado presidente do seu país não veem por isso a sua candidatura com bons olhos. Embora seja, na minha opinião, a candidata mais qualificada, enfrenta um desafio praticamente impossível.
Rafael Grossi, o argentino que desempenha a função de diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica desde 2019, também participa na corrida. Grossi ganhou visibilidade por causa das crises em torno das centrais atómicas na Ucrânia e no Irão. O seu nome está claramente associado às questões nucleares. Tem revelado coragem e iniciativa. O apoio do presidente do seu país, Javier Milei, um extravagante que mantém uma relação especial com Donald Trump e se tem aproximado da China – disse este ano em Davos que a China é um grande parceiro comercial – ajudará a sua candidatura. O........