EUA-Irão: a escalada, o jogo político e a saída possível
Constantemente promovido pelos canais televisivos e por outros meios de comunicação social - incluindo as plataformas digitais –, o espetáculo político funciona como uma droga de efeito rápido: estimula, excita, mas não alimenta; promete cura, mas não trata a doença. E depois, quando a adrenalina baixa, volta a pergunta que incomoda: onde estão os resultados? No dia a dia, o que resta são os custos exorbitantes dos combustíveis, da Saúde, da habitação e de tudo o resto, somados a uma sensação crescente de insegurança.
Passado o efeito, fica tudo na mesma – ou pior. O circo acaba, com o tempo, por revoltar o espectador contra os atores políticos, que não produzem resultados, e contra os comentadores, que falham previsões como quem troca de camisa. É uma política feita para a fotografia: o essencial é manter-se visível, no centro da arena.
Quando os resultados não se materializam, a estratégia costuma mudar de direção: ou se anunciam reformas em catadupa (no estilo faz-de-conta), ou se aumenta a polarização e se procura um inimigo a quem atribuir todas as culpas. O espetáculo pode mobilizar multidões – pode, até, ganhar eleições. Mas é o resultado concreto que sustém o poder e, por algum tempo, garante a paz social.
Ou então, para continuar no poder, o mau líder tenta destruir – ou, pelo menos, enfraquecer – as instituições que sustentam os regimes democráticos. Se é um fascista, procura capturá-las, subjugá-las, torná-las inteiramente obedientes. Se é um populista, o........
