A defesa europeia: entre a urgência e a indecisão

A construção de uma Defesa Europeia Comum é um imperativo geopolítico. Com a brutal invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a questão transitou da teoria para a urgência premente. Todavia, a conversa é muita e os resultados são parcos.

A paralisia estratégica tem sido uma das grandes pechas dos líderes europeus. Ora, sem uma liderança resoluta, as grandes decisões não passam de projetos guardados na gaveta das ambiguidades. Isto apesar de não existir um obstáculo absoluto para uma defesa comum. O bloqueio encontra-se nos dirigentes políticos – bons garfos, muitos abraços e cortesia, mas incapazes de explicar com clareza política aos seus eleitorados o quadro de insegurança em que nos encontramos.

Em 2026, a Europa é um gigante em matéria de despesas militares, numa opereta onde surge com pés de barro quando se trata de definições estratégicas e de coordenação operacional. Traz muito e variado armamento para o palco, mas os governos não dançam ao som da mesma música. Cada grupo segue uma batuta diferente. E alguns ainda acreditam que o grande maestro, o homem que escolhe a música e marca o compasso, vive numa enorme casa branca, do outro lado do oceano. Um oceano que é cada vez mais largo e agitado.

Em 2025, os gastos de defesa dos 27 Estados-membros da UE terão atingido 381 mil milhões de euros a preços correntes (ou seja, um montante acima dos 2% do PIB do bloco), um aumento de 11% face a 2024 e de cerca de 63% quando comparado com 2020. Este valor relativo a 2025 equivale a........

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