(Ainda...) Sobre a greve geral

“Era ele que erguia casasOnde antes só havia chão.Como um pássaro sem asasEle subia com as casasQue lhe brotavam da mão.Mas tudo desconheciaDe sua grande missão:Não sabia, por exemploQue a casa de um homem é um temploUm templo sem religiãoComo tampouco sabiaQue a casa que ele faziaSendo a sua liberdadeEra a sua escravidão.”

Por que se justifica escrever ainda sobre a greve geral da passada quarta-feira, podem perguntar-se?

Na verdade, porque as notícias e comentários posteriores exigem o que será quase um direito de resposta, face às múltiplas incoerências e inverdades que foram ditas na sua sequência.

Importa, desde logo, assinalar que, ao contrário do que muitas vezes se faz passar para a opinião pública, a greve não corresponde a um dia de férias suplementar, desde logo porque não é remunerado. Em termos laborais, a única diferença entre uma falta num dia de greve e noutro qualquer é que esta última pode redundar numa falta injustificada, mas, em ambos os casos, o trabalhador vê este dia não-pago. Ora, num país com salários baixos, abdicar de rendimento em prol de uma causa é um sinal, por si só, de que há algo de grave a combater, desde logo porque a greve geral é o último reduto nas lutas dos trabalhadores.

Depois, em primeiríssimo lugar, sempre se terá de dizer que não é verdade que a greve geral tivesse sido apenas promovida pela CGTP. Ao dizer-se tal omitem-se os inúmeros........

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