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O verdadeiro medo nunca foi a máquina

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27.05.2026

Há palavras que a história transformou em insultos para evitar que as suas perguntas sobrevivam. A acusação de “ludita” é uma delas. A versão oficial ensina que os luditas eram trabalhadores ignorantes que destruíam máquinas por medo do progresso. É uma história conveniente, pois permite apresentar toda a resistência à mudança tecnológica como irracionalidade e toda a inovação como um bem indiscutível.

No entanto, a realidade era mais complexa. Os tecelões e artesãos ingleses do início do século XIX não lutavam contra as máquinas, lutavam contra um sistema económico que utilizava as máquinas para destruir ofícios, reduzir salários, explorar crianças e concentrar riqueza.

O que eles compreenderam continua a ser verdade dois séculos depois, pois nenhuma tecnologia é neutra. Toda a tecnologia incorpora uma visão da sociedade, beneficia alguém, prejudica alguém e redistribui poder, riqueza e oportunidades. Por isso, a questão nunca foi a máquina, a questão foi sempre quem a controla. E é precisamente essa pergunta que regressa hoje perante a expansão da Inteligência Artificial.

Durante anos ouvimos que a nova revolução tecnológica produziria abundância, eficiência e prosperidade para todos. Contudo,........

© Diário de Notícias