Com que “inteligência” vamos sobreviver? |
O nosso tempo não é apenas acelerado, pois está a ser capturado por narrativas que se apresentam como neutras, técnicas e inevitáveis, quando na verdade, são profundamente ideológicas. A tecnologia, em particular a Inteligência Artificial, deixou de ser um instrumento entre outros para se tornar o eixo em torno do qual se organiza a imaginação do futuro. E quando o futuro deixa de ser plural, torna-se perigoso.
A ideia de que mais tecnologia significa automaticamente mais progresso humano é um erro fundador, que raramente é questionado. Esta equivalência, repetida até à exaustão, serve interesses muito concretos. O progresso técnico é mensurável, mas o progresso humano não. Um algoritmo pode ser avaliado em percentagens, velocidade e escala, no entanto, a dignidade, a autonomia e o sentido da vida não cabem em gráficos trimestrais. Assim, o que não é mensurável torna-se descartável.
O primeiro grande alerta para o futuro é a substituição........