Celebrar Abril é também recusar profecias de reforma

Conta-se que o rei Luís XI de França quase matou um astrólogo por temer o poder das suas previsões, até perceber que antecipar o futuro podia ser uma forma de o moldar. Quando se comemoram 52 anos do 25 de Abril e 50 anos da Constituição de 1976, vale a pena recordar que essas duas efemérides representam a possibilidade de os portugueses escolherem coletivamente o seu futuro. 

No entanto, no debate sobre a reforma do Estado em Portugal, não faltam novos "astrólogos", agora armados de modelos económicos e promessas tecnológicas, a garantir que o caminho já está traçado. E esse caminho, dizem-nos, passa por um Estado mais pequeno, mais automatizado e cada vez mais substituído pelo setor privado, sobretudo na Saúde e na Educação.

A narrativa é sedutora na sua simplicidade. "O Estado é ineficiente", "os serviços públicos não respondem", "a Inteligência Artificial vai revolucionar tudo" e, portanto, a solução é abrir espaço ao privado. Hospitais geridos por grupos empresariais, escolas com lógicas de mercado, decisões apoiadas por algoritmos, tudo apresentado como evolução natural, quase inevitável. Mas essa inevitabilidade merece desconfiança. Tal como durante a intervenção da troika, o........

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