O 'Acordo de Meca': um modelo a atentar
O Acordo Conjunto de Defesa de Meca que no início de agosto foi subscrito pela Arábia Saudita, pelo Paquistão pela Turquia merece reflexão.
Um primeiro e imediato ponto consiste em notar que se trata de um acordo de três potências médias, todas sunitas, que escolheram promovê-lo em Meca, centro fundamental do islamismo e local de convergência anual para os muçulmanos. Esta foi uma escolha com significado simbólico e político.
Não é um acordo entre Estados árabes. A Arábia Saudita é árabe, a Turquia otomana e a matriz do Paquistão é indiana. É um acordo entre islamitas sunitas.
O traço mais marcante e , mais inédito e surpreendente deste acordo, é que ele consagra um princípio análogo ao artigo 5º da NATO, ao estipular que um ataque contra qualquer um destes Estados será entendido por todos como um ataque contra os três. Trata-se sobretudo de um forte compromisso político, na medida em que para além do articulado político, os três Estados não intentaram criar, pelo menos por agora, uma organização permanente e nela uma estrutura militar, como é o caso da Aliança Atlântica.
Ainda no domínio de um princípio de defesa coletiva, o Acordo de Meca é omisso quanto a uma eventual disponibilidade paquistanesa,........
