Duas elegias e uma interrogação

Quem melhor nos deu, sem nunca perder o fôlego, a torrente de uma escrita a colar com a vida, em toda a sua ternura e todo o seu terror, terá sido António Lobo Antunes.

Onde Saramago escolhe a concisão das palavras e a surpresa das parábolas, onde Lídia Jorge prefere falar connosco em voz mais baixa e intimista, onde Teolinda Gersão fala do que sabe com serenidade minuciosa, António Lobo Antunes, pelo contrário, escolhe envolver-se nesse torrencial fluxo de palavras com que tenta alcançar a velocidade da vida, fazendo-nos pensar em Faulkner ou em Céline (os mais óbvios) e, com toda a sua diferença de pontos de vista, até em Agustina, a........

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