Repensar as Nações Unidas

Robert D. Kaplan, repórter, académico e ensaísta americano autor de livros como Fantasmas dos Balcãs ou A vingança da Geografia, está convencido de que a ONU é hoje uma sombra do passado, em perda acelerada de influência. Deixou de ser o palco - às vezes com momentos únicos como Krutschev de sapato na mão ou Fidel a discursar horas e horas - principal do debate político internacional, ignorado pelos governantes, mas também pelas opiniões públicas. E este desalento com a organização é expresso no seu último livro, Terra Desolada, agora editado em Portugal, pretexto para uma recente entrevista publicada no DN, e em que o tema principal foi a possibilidade de uma guerra entre os Estados Unidos e a China, como sobressaiu pelo título escolhido: “Uma guerra no Pacífico mudaria o nosso mundo muito mais dramaticamente do que a guerra na Ucrânia”.

Recordo que uma eventual guerra no Pacífico envolveria dois membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, tal como a guerra na Ucrânia, resultado do ataque russo de 2022, envolve, como invasor, um outro membro permanente do Conselho de Segurança. E como se viu ao longo dos tempos, a organização criada em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, não tem soluções para as crises em que os chamados P5 (que incluem ainda o Reino Unido e a França) são os protagonistas, pois têm sempre o direito de veto como último........

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