Cabo Verde de esperança
Estava a olhar para os resultados eleitorais em Cabo Verde, para como uma vez mais a democracia ali funcionou, e recordei-me de uma entrevista a Abdulrazak Gurnah, o escritor tanzaniano que ganhou o Nobel. O assunto era a África Oriental, e acabei, numa pergunta, por afirmar que, dada a sua história, esta era “provavelmente mais complexa do que a África Ocidental”. Gurnah percebeu depois que, no fundo, eu referia-me ao facto de a costa africana do Índico ter laços antigos com a Arábia, a Índia e até a China, e portanto a colonização europeia ter ali deparado com realidades diferentes das encontradas no Golfo da Guiné, mas mesmo assim aproveitou, e bem, para me falar da enorme diversidade da África Ocidental, que no fundo contribuiu para a enorme diversidade da própria África no seu todo. No fundo, o autor de livros como Paraíso não negou a complexidade da sua região de origem, ele que nasceu em Zanzibar e tem antepassados árabes. Quis foi salientar a complexidade do continente que as potências europeias repartiram entre si numa conferência em finais do século XIX, em Berlim, traçando fronteiras com régua e esquadro, à margem dos povos.
“Bem, em termos de populações locais, a África Ocidental é também extremamente complexa. Quem pensar que todos os países são semelhantes, está enganado. Se pegar em........
