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Trump, Putin e a terceira hipótese

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17.03.2026

Em geopolítica, padrões persistentes exigem explicação, e o que observamos na política externa de Trump não é coincidência. Uma Venezuela sob administração americana transitória, uma Síria gerida por um sucessor pragmático, Cuba em negociação e um Irão sob pressão militar sem alternativa liberal, tudo isto coexiste com concessões energéticas à Rússia, pressão asfixiante sobre a NATO e uma retórica presidencial notavelmente indulgente com Vladimir Putin.

Duas hipóteses circulam na análise corrente. A primeira: Trump admira Putin e quer trazê-lo para a sua esfera de influência, num entendimento bilateral que repartiria o mundo em “zonas de gestão” entre grandes potências. A segunda, mais grave: Trump age por procuração de Moscovo, consciente ou não, e a política externa americana reflete interesses russos internalizados ao longo de anos de relacionamento financeiro e político.

A primeira hipótese é plausível no plano psicológico, mas insuficiente no plano estratégico. A segunda enfrenta um paradoxo insolúvel: a pressão de Trump sobre a NATO está a forçar um........

© Diário de Notícias