menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

As infraestruturas críticas que não existem

14 0
06.04.2026

A arquitectura europeia de protecção de infra-estruturas críticas foi concebida para um mundo que já não existe. A Directiva CER de 2022 identifica sectores, designa operadores, impõe obrigações de resiliência. Faz bem o que se propõe fazer. O problema é o que não se propõe fazer, e que é, em condições de crise grave, mais determinante do que aquilo que regula.

Escrevi neste jornal, no início do ano, que quando a infra-estrutura falha, falha o Estado. O argumento centrava-se nas infra-estruturas formalmente designadas, sub-investidas, operadas por empresas cotadas sob pressão trimestral, protegidas por regulação que penaliza pouco e exige menos. Mas há uma camada anterior a esse problema, e mais difícil de resolver: a das infra-estruturas críticas que não existem no mapa regulatório porque ninguém as designou, e que, em condições de crise grave, são tão determinantes quanto a rede eléctrica ou as telecomunicações.

A covid destruiu esta premissa sem margem para ambiguidade. As infra-estruturas críticas formais aguentaram. O que falhou foi a camada que ninguém tinha mapeado: equipamento de protecção individual concentrado em poucos fabricantes asiáticos, princípios activos farmacêuticos dependentes de geografias específicas, reagentes de diagnóstico com fornecedores únicos à........

© Diário de Notícias