menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A vitória imperfeita

12 0
13.04.2026

Há guerras que se ganham em dois planos e se perdem no terceiro. Ou que se ganham nos três, mas de formas tão distintas que a narrativa comum não consegue acomodar. Este conflito tem essa arquitectura. Para o compreender, é necessário separar os níveis de análise que a urgência informativa sistematicamente confunde.Não existe uma guerra no Médio Oriente. Existem três, sobrepostas, com lógicas distintas e vencedores potencialmente diferentes.O primeiro nível é macroeconómico e pertence ao tempo longo. A National Security Strategy americana de Dezembro de 2025 codificou-o com uma clareza invulgar: o adversário estrutural dos Estados Unidos não habita o Médio Oriente, e o terreno decisivo não é militar. É a arquitectura das cadeias de abastecimento globais e o controlo dos nós críticos que as sustentam. Neste enquadramento, o Golfo Pérsico não é um teatro de operações. É um instrumento de coerção económica.O bloqueio do Estreito de Ormuz não penaliza simetricamente todos os actores. Os Estados Unidos são exportadores líquidos de energia. Uma disrupção prolongada dos fluxos de hidrocarbonetos valoriza o seu petróleo e o seu gás, reforça o papel de fornecedor alternativo que Washington tem cultivado desde a revolução do xisto e atinge de forma assimétrica precisamente os dois grandes adversários geoeconómicos que a estratégia americana identificou como prioritários: a China, cujo modelo de crescimento depende de energia importada, e a União Europeia, cuja vulnerabilidade energética a coloca em permanente posição........

© Diário de Notícias