A Defesa que ainda falta
Portugal vai gastar mais em Defesa. Vai gastar ainda mais. A decisão está tomada, o calendário está fixado e a pressão aliada não deixa margem para hesitação. O que falta não é dinheiro. É capacidade para pensar estrategicamente o que se faz com ele e porquê.É justo reconhecer que Portugal já não pensava há muito tanto a Defesa. Já não se investia com esta consistência, com esta inteligência e com esta consciência do que está em jogo. O que está a acontecer, pouco a pouco e sem alarde, é visível para quem acompanha o sector. Mas o investimento em capacidades e equipamento, por mais necessário que seja, não resolve por si só o problema de fundo.No sistema português há organismos com missões bem definidas. A Direcção-Geral de Política de Defesa Nacional faz política. Os serviços de informações na área da Defesa recolhem, analisam e produzem para circuitos fechados. As Forças Armadas planeiam e executam. Cada um cumpre o seu mandato, dentro da sua cadeia de comando. O sistema funciona. Mas funciona dentro dos seus limites.O problema está fora desses limites. Em Portugal não existe uma entidade com mandato e capacidade para fazer outra coisa: pensar, em aberto, sobre as grandes questões estratégicas que enquadram todas as decisões. Não inteligência, mas análise. Não política operacional, mas pensamento estratégico de médio e longo prazo, produzido com rigor, disponível para o debate público e útil para quem decide.A diferença é decisiva. Um serviço de informações responde a perguntas concretas formuladas por decisores concretos. Um centro de análise estratégica formula as perguntas que ainda não foram feitas e produz o enquadramento conceptual sem o qual as respostas operacionais perdem sentido. As funções são complementares. A excelência de uma não substitui a ausência da outra.Outros países perceberam isto........
