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Capas negras

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03.10.2021

Penico na cabeça com orelhas de burro, T-shirt com nomes como badalhoca, de quatro no chão de terra, grunhe e repete alto e bom som enquanto abana as nádegas: "sou porca, porca, porca". É uma caloira em Lisboa. Futura jurista. Depois há abdominais e flexões, álcool despejado no cabelo dos recém-chegados, rodas de penáltis, ordens para rebolar no chão. Seguem-se desfiles pelas ruas, praxistas à frente comandando um grupo de todos sujos, ensopados em lama e cerveja, caras borradas com pinturas, exibidos como troféus, exemplares da submissão modelo, como se fossem a caminho de um pelourinho ou de uma estaca de cabeças na entrada da cidade. Seguem cabisbaixos, receando auto -intitulados dux"s. Mostram-lhes respeito, cravando os olhos no chão - quem os desviar será imediatamente isolado e punido.

Chamar integração a uma prática que, todos os anos,........

© Diário de Notícias


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