Agressão EUA/Israel ao Irão: ambições de hegemonia e actos de vassalagem |
O que motiva a agressão dos EUA e Israel ao Irão não é qualquer ameaça à segurança nacional daqueles países, não é a preocupação com as condições de vida do povo iraniano, não é a defesa da liberdade e da democracia, não é o combate ao terrorismo, não é a intenção de impedir o Irão de dispor de armas nucleares, nem o objectivo de eliminar uma suposta ameaça que constituiria a sua capacidade militar convencional.
Essas são as desculpas velhas e esfarrapadas a que a propaganda de sucessivas Administrações dos EUA e de Israel sempre recorrem para justificar a violação do Direito Internacional com operações de agressão militar, invasão, ocupação, desestabilização interna e desagregação de estados estrangeiros.
Já as ouvimos, por exemplo, a propósito do Iraque, do Afeganistão, da Síria, da Líbia, do Líbano, do Iémen.
Em todos esses casos, os resultados são conhecidos. Uma vez concluída a ofensiva, imposto o controlo político do respectivo país e saqueados ou controlados os seus recursos naturais, ficam os pretextos iniciais esquecidos, os povos a braços com dramáticas crises económicas e sociais, a liberdade e a democracia mais longe de se tornarem realidades.
Sai também o tema da agenda mediática para que os autores da agressão não tenham de se confrontar com as suas contradições e a denúncia dos seus reais objetivos.
Aliás, ainda hoje estamos à espera de saber onde param as armas de destruição massiva que justificaram a invasão e ocupação do Iraque e cujas provas forjadas foram apresentadas pelos EUA perante a ONU numa operação de solene aldrabice.
A agressão militar ao Irão também não é produto de um delírio de circunstância do presidente norte-americano de turno. Ela encaixa na acção de desestabilização e agressão que há décadas o imperialismo norte-americano desenvolve no Médio Oriente.
Esta agressão é produto da imposição, pela força, do domínio hegemónico dos EUA à escala regional e global, incluindo o controlo político da região e dos seus recursos naturais.
Ficando, a cada dia que passa, cada vez mais claro que é essa a motivação da agressão militar ao Irão, nem por isso os vassalos deixam de ser vassalos e endireitam a espinha.
A posição da União Europeia é um vergonhoso exercício de hipocrisia e duplo critério, que tem como objetivo marcar o já costumeiro alinhamento submisso aos EUA. Nem um pingo de arrojo para defender os princípios do Direito Internacional, muito menos a ousadia de condenar uma agressão militar que manda esses princípios às malvas. E, no topo do bolo, a cereja de condenar a resposta de quem se vê agredido.
Da parte do Governo Português, o mesmo miserável posicionamento, acrescentando-se a circunstância cómico-trágica do gaguejo acobardado do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, quando confrontado com a autorização concedida pelo Estado Português aos EUA para utilização da Base Militar das Lajes. Autorização que negou existir enquanto a cobardia lhe permitiu fugir à assunção de que, afinal, sempre tinha sido dada.
Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico