António Lobo Antunes |
Era um amigo sincero que nunca esquecerei. Um dia disse-me: “Não me peça nada porque eu não sei como lhe dizer não.” Nunca lhe pedi um favor, apenas palavras que muitos desejavam ouvir. A sua generosidade foi sempre uma marca e um sinal da sua personalidade fantástica.
Desde o momento em que, no ano de 1979, foram publicados os dois primeiros romances, Memória de Elefante e Os Cus de Judas houve um percurso notável. E recordo o momento em que o li pela primeira vez: “O Hospital em que trabalhava era o mesmo a que muitas vezes na infância acompanhara o pai: antigo convento de relógio de junta de freguesia na fachada, pátio de plátanos oxidados, doentes de uniforme vagabundeando ao acaso tontos de calmantes, o sorriso gordo do porteiro a arrebitar os beiços para cima como se fosse voar…”
De que nos falou? De pessoas comuns. Nesse ano, era Portugal que se adaptava às novas circunstâncias. E era o que........