Os equilíbrios de poder na Europa pós-americana |
O alinhamento recente entre Friedrich Merz e Giorgia Meloni é mais do que um gesto diplomático. É um movimento que revela a reorganização silenciosa da política europeia em torno das duas maiores potências industriais da União. Alemanha e Itália, juntas, têm massa crítica para influenciar a agenda económica num momento em que o continente procura reencontrar competitividade e autonomia estratégica.
Os especialistas dividem-se em três leituras. A primeira é geopolítica: com os Estados Unidos a darem sinais de retração, a Europa prepara-se para um mundo em que terá de se sustentar a si própria. Nesse cenário, a Alemanha volta a surgir como potência inevitável, enquanto a Itália procura posicionar-se como parceira indispensável. A segunda é económica: Berlim e Roma enfrentam desafios semelhantes - energia cara, concorrência chinesa, perda de produtividade - e uma coordenação entre ambas pode redefinir a política industrial........