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Os políticos não são todos corruptos

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02.01.2019

Um dos maiores clichés no ano novo são as entrevistas à populaça que se pela por aparecer na televisão a dizer boçalidades e a fazer figuras tristes. Tipicamente, formulam-se votos de um ano com saúde, família, amigos, dinheiro - este ano houve até quem pedisse um salário sempre a subir - e, claro, os recados para a classe política. "Que sejam menos corruptos", gritava uma senhora lá para o Alentejo. "Acabem com a corrupção", dizia outra mascarada como se estivéssemos no carnaval, depois de ter dado o primeiro mergulho do ano nas águas geladas de Aveiro.

Este discurso fácil e, tantas vezes, demagogo que se repete todos os anos, começa, no entanto, a ganhar contornos preocupantes, à medida que o tempo vai passando. E muito do que se vai passando lá fora, nos Estados Unidos, no Brasil, em Itália ou em França, só para citar alguns exemplos, permite-nos antever uma tendência que, se não tivermos cuidado, pode tornar-se realidade também por cá, em Portugal.

As generalizações têm tanto de injusto como de perigoso. O facto de existirem políticos corruptos não faz com que todos os políticos o sejam. O facto de alguns terem usado a política como trampolim para enriquecerem não invalida que não haja políticos verdadeiramente empenhados no serviço público. E, sobretudo, mais importante que os políticos, é fundamental preservarmos as instituições. Porque a única forma de corrigirmos os defeitos das nossas democracias é continuarmos a viver nelas.

E é das partilhas de notícias falsas, dos comentários de ódio que provocam ainda mais ódio, que estão a resultar vários fenómenos populistas um pouco por todo o mundo.........

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