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O PSD e "o menor de dois males"

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16.01.2020

Na mesa do costume, à hora do costume, o senhor Manuel, da Courense, continuava a trazer comida para dois como se tivessem vindo 10 para almoçar. Tema de conversa? A inédita segunda volta das diretas do PSD, a fazer lembrar uma não menos inédita segunda volta das presidenciais de 1986, que colocou frente a frente Mário Soares e Freitas do Amaral, depois de deixar pelo caminho Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo. Num exercício que, para muitos, pode parecer inútil, eu e o meu companheiro de todos os dias ao almoço procurávamos semelhanças, diferenças e subtilezas políticas nos dois atos eleitorais, partindo sempre do princípio de que a história tem sempre alguma coisa para nos ensinar e nos enquadrar.

Há 34 anos - a primeira votação foi a 26 de janeiro de 1986 -, Freitas do Amaral venceu a primeira volta das presidenciais com 46,3% dos votos, mais de 20 pontos à frente de Mário Soares, que não foi além dos 25,4%. Não foi propriamente por uma unha negra que não arrumou logo a eleição à primeira, nem Freitas alguma vez imaginou que o conseguiria fazer, mas a distância a que deixou Soares e os quatro pontos que lhe faltaram para uma maioria absoluta eram motivos de sobra para o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS estar mais do que confiante na eleição para a Presidência da República.

A história desta eleição, porém, haveria de tomar outro rumo. Um debate de que o centro-direita se arrependerá até hoje acabou por se revelar mais prejudicial para o candidato que estava em vantagem - Freitas do Amaral - do que para Mário Soares. Mas foi,........

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