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Custa Xis

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26.03.2026

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CIM Região de Coimbra Arganil Cantanhede Condeixa-a-Nova Góis Lousã Mealhada Mira Miranda do Corvo Montemor-o-Velho Mortágua Oliveira do Hospital Pampilhosa da Serra Penacova Penela Soure Tábua Vila Nova de Poiares

Região Centro Aveiro Cast. Branco Guarda Leiria Viseu

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Num mundo em desordem do ponto de vista económico, social, cultural e tudo o mais que aqui se quiser acrescentar, as estruturas educacionais sofrem os reflexos desta nova (des)ordem, particularmente com sucessivos e profundos cortes de financiamento e de ataques aos direitos dos que decidiram fazer da Educação a sua atividade profissional. A Educação não é apenas o aprender a ler, escrever e contar tanto do gosto das políticas obscurantistas de que o maior divulgador, neste momento, é o presidente dos Estados Unidos. Trump defende a restrição do acesso ao conhecimento, nega factos científicos e impõe restrições de natureza diversa às escolas e às universidades. Está para se ver se vai ou não abrir a porta à fuga de cérebros que poderão encontrar noutros países o apoio e as condições necessárias para a realização das suas tarefas, das suas investigações e que deixaram de poder contar com os Estados Unidos. E também cai por terra a ideia de que com mais educação teríamos mais democracia. O prolongamento da escolaridade não está a representar melhor formação humana. Em verdade se diga que estamos perante uma triste pescadinha de rabo na boca: faltam professores preparados para assumirem a transmissão de valores, assim falhando a educação para a democracia e para a solidariedade o que transforma as escolas num palco de processos populistas e sem referentes; assim, faltam candidatos a professores, porque as escolas são espaços difíceis. E como as escolas são espaços difíceis faltam os candidatos a professores que não aparecem no número que seria desejável. E assim poderíamos continuar. Nos tempos que correm, tudo se faz com as contas dos lucros e das despesas. Formar um professor custa xis, a reprovação de um aluno custa xis, manter um edifício escolar custa xis. A Escola, lugar de solidariedade, de defesa dos valores democráticos, de igualdade e de fraternidade passou a ser uma escola de “valores”, mas aqui entendida a palavra como o valor xis de quanto custa. De alguma forma, a sociedade foi valorizando o xis de quanto custa a Educação, permitindo o abandono de territórios porque ficam caros, organizando as escolas com base nos resultados dos exames, nos malfadados ranking, nas escolas que custam xis mas que garantem bons resultados. É evidente que à Escola se pede que forme gente preparada para os desafios de qualquer profissão do amanhã. O problema que urge esclarecer é se é por esta Escola, que custa xis, que estaremos a encontrar o caminho certo para um melhor mundo futuro. A Escola do custa xis tem em conta que também lhe cabe combater diferenças sociais e aumentar o leque de possibilidades de cada um? Não parece. Veja-se o despudorado discurso de apadrinhamento do racismo, da xenofobia, do combate a quem procura um canto onde tenha acesso a uma vida melhor para si e os seus. A esse discurso não fogem mesmo estudantes do ensino superior de Coimbra, como a imprensa informou há alguns dias. Triste notícia! A minha provecta idade não me permitirá assistir a todas estas mudanças do custa xis, mas já vi o suficiente para poder imaginar o caminho que muitas gerações mais novas terão de seguir. Sei que este não está a ser o caminho que muitos desejamos para a Educação. A ideia de que a profissão docente servia para ajudar a construir um mundo diferente do que herdamos vai-se esboroando pouco a pouco. Não interessa ter mais professores. Interessa ter mais professores mas com os instrumentos necessários para fazerem das salas de aulas espaços de construção democrática. Já conhecemos quanto poderá custar a reconstrução da Ucrânia; já conhecemos quanto custa um artifício mortal tenha ele o nome que tiver e qualquer que seja o país de construção. O que se gasta em Educação só tem de ser visto como um investimento nas gerações mais novas, mais sábias, mais conhecedoras da história do mundo, mais capazes de combater desvios sociais e políticos, mais fraternas, mais solidárias. Não há custo xis que mate esta ideia. É tempo de mudar as regras custe o que custar o custo xis.

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